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Artigos

O Manto da América

Por: Vitor Eidelman

Em 23 de novembro de 1981, o Flamengo conquistou a Taça Libertadores da América ao vencer o Cobreloa, por 2x0, no terceiro e decisivo jogo, realizado no Estádio Centenário, em Montevidéu. Um momento inesquecível na história rubro-negra, do qual o torcedor não se cansa de lembrar. Mas, nesse jogo, uma curiosidade envolvendo a camisa Rubro-Negra utilizada por Zico e Cia não é tão lembrada quanto o título conquistado.

Essa história começou três dias antes, quando o Flamengo disputou o segundo jogo da final contra o Cobreloa, na capital chilena. Um simples empate já seria suficiente para o Flamengo conquistar a Taça, mas, aos 33 minutos do segundo tempo, o meia Merello, do Cobreloa, cobrou uma falta com muito veneno, a bola acabou desviando na cabeça do lateral Leandro e enganando o goleiro Raul. O resultado final de 1x0 provocou um jogo extra, em campo neutro, o Estádio Centenário, em Montevidéu.

A delegação rubro-negra seguiu de Santiago diretamente para Montevidéu no sábado, 21 de novembro, sem voltar ao Rio de Janeiro. O fato é que, no terceiro e decisivo jogo, a equipe utilizou um modelo de uniforme Rubro-Negro, fabricado pela Dória, similar ao utilizado em 1980 durante excursão da equipe à Europa, com uma pequena diferença no tecido (algodão, em vez de meia-malha). Até então, este modelo só havia sido usado pelas categorias de base do Clube. Os enormes números chamavam a atenção, talvez já adequados ao tamanho da conquista que estava por vir. 

Mas, afinal, por que o Flamengo utilizou este modelo de uniforme em vez do modelo com a marca da Adidas, que já era utilizado desde o ano anterior? Os uniformes foram mesmo enviados do Rio de Janeiro para a delegação após o segundo jogo? Por que não estavam disponíveis os uniformes da Adidas?

Se você sabe algo mais sobre essa história, nos ajude a detalhar um pouco mais essa curiosidade Rubro-Negra. Clique aqui e entre em contato conosco.

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Saudações Rubro-Negras

A Primeira Vez                                          

Por: Vitor Eidelman

A primeira partida do Flamengo com publicidade em sua camisa ocorreu em 08/04/1984. Naquele dia, o Flamengo venceu o América pela terceira fase da Copa Brasil, por 3x0, com gols de Edmar, Adílio e Bebeto.

Na véspera do jogo, o jornal O GLOBO destacava em sua página de esportes: “O time do Flamengo terá uma novidade a partir de amanhã, contra o América: publicidade nas camisas dos jogadores. O contrato foi acertado ontem com a Petrobrás, que colocará nas camisas, na parte da frente, uma faixa amarela com a palavra Lubrax, durante as seis partidas pela terceira fase da Copa Brasil. O Flamengo, de acordo com o contrato, receberá Cr$ 60 milhões, e está negociando a utilização da publicidade nos três jogos da Taça Libertadores, por mais Cr$ 90 milhões.“

A parceria com a Petrobrás acabou sendo longa. Somente em 2009, as partes romperam o acordo que já durava 25 anos.

Clique aqui e veja mais detalhes do uniforme MS.FUT.BR.1984.102

O Milagre da Camisa

Por: Vitor Eidelman

Para celebrar o lançamento deste site, nada mais justo do que evocar as palavras de um grande rubro-negro. Sim, um rubro-negro que certa vez escreveu: "Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia.” Esse dia, esse instante já foram suficientes para lhe conferir tal status, afinal, “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.”

“O Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: — não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um césar apunhalado. Também é de 911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido, várias vezes, o seguinte: — quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.”

Nelson Rodrigues